homenagem a bach

há poucos dias, buscando uma gravação no acervo de uma destacada loja para aficcionados por clássicos em são paulo, por acaso me deparei com uma gravação que imediatamente atraiu minha atenção. primeiramente, porque o repertório do CD me é muito caro – tratam-se de peças compostas por Schumann em homenagem ao mestre Bach – mas à medida em que a execução foi prosseguindo, o encanto especial deveu-se à interpretação. pedi ao vendedor que me contasse a quem estávamos ouvindo e a resposta não me disse muita coisa a princípio: um pianista alemão chamado andreas staier. peço para ver o álbum: um belíssimo exemplar das exclusivas e caprichadas edições da harmonia mundi, lançado poucos dias antes. páro para ouvir com atenção à maneira de staier de interpretar Schumann em seu pianoforte érard (paris 1837). e saio da loja com um exemplar desta pequena jóia (hommage a bach) diretamente para o CD player do meu carro.

mais tarde, já pilotando minha conexão de internet, vim a pesquisar mais sobre o pianista. nascido em 1955 na alemanha (göttingen), estudou em hannover e amsterdan. como parte da orquestra de música antiga de köln, entre 1983 e 1986, tocou em vários países do mundo. desde 1986, atua como solista tendo conquistado uma excelente reputação ao pianoforte. vários de seus CDs receberam prêmios internacionais. em 2006, foi reconhecido pela francesa diapason como artista do ano.

conforme bem notado por staier, apesar da enorme quantidade de diários e correspondências deixadas pelos schumanns, pouco se conhece sobre suas preferências com respeito a instrumentos. a escolha do pianoforte érard deu-se então em função de um presente dado por robert a clara schumann em 1853: um piano de düsseldorf cuja construção em muita se assemelha aos érards franceses.

uma última consideração que vale a pena para quem se aventurar a apreciar este trabalho de staier: schumann foi bastante desafiado por suas composições não tratarem de forma clara as questões de tempo – aparentemente, o compositor apreciava esta relação instável com a marcação de tempo. tendo isso em conta, staier propõe com sua interpretação uma tentativa, aos meus ouvidos muito feliz, de executar o repertório escolhido, da maneira mais fiel possível ao intento original de schumann. vale a pena conferir o resultado!

Help us spread the word: