Um passeio com OSESP por obras menos conhecidas

Que tarde mais agradável esta de 28 de agosto com a OSESP na Sala SP. O programa não é daqueles que atraem multidões, e talvez até por este motivo a satisfação seja ainda maior. Jeux, do francês Debussy abriu o programa, mas particularmente não conhecia e não tenho certeza se gostei muito da peça; talvez algo similar ao que sentiram os parisienses na estreia em 1913.

Na sequência, a pérola da tarde: o Concerto para Piano Nr 2, Opus 22, do também francês Camille Saint-Säens, na interpretação do virtuoso e simpático pianista macedônio Simon Trpceski. Esta peça figura entre as mais conhecidas do repertório de concertos para piano entre os virtuosos, e Simon a executou com grande maestria e graça. Pela primeira vez num país da América Latina, sua postura dócil e atenciosa com o público foi muito marcante. O presentinho do bis foi um Prelúdio de Chopin que Simon comentou remeter à sua infância, já que o havia tocado pela primeira vez aos oito anos (!).

A segunda parte do concerto foi bem interessante: Lendas Lemminkäinen, Opus 22, do finlandês Jean Sibelius. Escrita em 4 movimentos, descreve musicalmente uma passagem do Kaleva, remetendo às lendas e poemas da tradição nórdica antiga. Para fazer jus a esta tradição, a narradora Regina Braga entrou em cena imediatamente antes do início da execução de cada movimento, antecipando para o público uma breve descrição da cena que ele se proporia a contar musicalmente. Execução belíssima, arrancando palmas efusivas do público. Excelente programa!

Como de praxe, fica como presentinho um video com o próprio Simon Trpceski executando o primeiro movimento do Concerto para Piano Nr 2 de Saint-Säens… Enjoy!

Help us spread the word:

Orchestra Sinfônica de Jerusalém

Atendi ontem na Sala São Paulo a um concerto da Sinfônica de Jerusalém, em tourne pela América do Sul. Infelizmente no programa de ontem não houve nenhuma peça de compositor brasileiro, apesar da OSJ ter reafirmado seu interesse pela cultura brasileira e incluído no repertório obras de Villa-Lobos (Bachianas Brasileiras Nr 5 e 7), Camargo Guarnieri (Concerto para violino Nr 1) e Marisa Rezende (Vereda).
Na primeira parte, foram executadas obras bastante convencionais: o overture do Nabucco de Verdi e Romeo e Julieta de Tchaikowsky – apesar de bem tocadas, nada de muito especial. A emoção ficou para a segunda parte, com a Sinfonia Nr 9 de Dvórak, também conhecida como Sinfonia do Novo Mundo: uma jóia de execução!
Preciso confessar que senti falta do coro não apenas no Nabucco, mas também na execução do bis, onde foi belamente executado o chamado “2o. Hino de Israel” (Jesuralem of Gold). Creio que também vale confessar que minha versão preferida ainda é aquela da trilha sonora do filme “A Lista de Schindler” do Spielberg. Mas já foi bem bacana ter tido o prazer de tê-lo apreciado ao vivo.
Digna de nota foi ainda a postura do maestro Yeruham Scharovsky: sorridente, simpático com o público, vibrante na condução. Muito alinhada com o posicionamento da Orquestra como verdadeiros representantes de Jerusalém e embaixadores da amizade e da boa vontade, nas palavras do seu chairman Yair Stern.
Deixo aqui como petit cadeau o trecho d’A Lista de Schindler com a versão coral de Jerusalem of Gold.
Shalom! 🙂

Help us spread the word:

Viva a República das Letras!

[imagem pública] uma representação
para a República das Letras

O excesso de trabalho no território estes tempos tem me afastado um pouco aqui da companhia dos LesAmis, mas sou persistente e aqui estou de volta para compartilhar uma das ideias mais bem batizadas que ouvi ultimamente: a República das Letras.
Expressão cunhada pelo historiador norte-americano Robert Darnton, República das Letras reforça que o conhecimento deve ser público e nunca aprisionado em um produto comercial. Este ponto de vista está relacionado a uma iniciativa anunciada pela Google que pretende digitalizar todas as obras existentes nas bibliotecas públicas dos Estados Unidos. A grande questão, na minha modesta opinião muito bem pontuada por ele, está no fato de que uma iniciativa como esta pode ao mesmo tempo ser algo muito bom e representar uma alavanca importante para a formação de um monopólio digital.
Darnton esteve na primeira mesa de discussões da FLIP de ontem 6/ago, assim como um dos meus autores favoritos Salman Rushdie, que veio falar sobre seu novo livro de literatura fantástica (Luka e o Fogo da Vida), em lançamento aqui no Brasil) e sobre seu novo projeto: um livro sobre o tempo em que teve de se refugiar para não ser morto por causa de seu livro Versos Satânicos.
***
Em tempo, achei bem interessantes algumas das novidades no website da Deutsche Grammophon, entre elas os hotsites dedicados a compositores do ano (Chopin, Mahler) e lançamentos em ópera. Mas fui só eu ou vocês também acharam incipiente demais o nível de interatividade para uma era web 2.0? Também fiquei decepcionada que em 2010, ainda tem empresa lançando conteúdos que só podem ser plenamente explorados com o navegador da microsoft (tentei ouvir minhas playlists com o Chrome, Safari e Firefox, e não consegui) e pior que isso: o internauta nem mesmo consegue dizer isso para o responsável pelo website. Já é um passo importante, mas precisa ser melhor estruturado.

Help us spread the word: