arte contemporânea: o expressionismo de william kentridge

Fã de animações, fui apresentada hoje para a obra de um artista sul-africano, chamado William Kentridge, que justamente fez fama ao redor do mundo por sua técnica sui generis quando o tema é animação de filmes. Kentridge constrói seus filmes, cena a cena, a partir de desenhos sequenciais, executados sobre a mesma base… soa estranho para quem já imagina story boards e coisas afins, mas é isso mesmo: ele desenha, filma, “ajusta” os traços no desenho (apagando, criando novos) sobre a mesma base, filma novamente, e segue neste processo interativo até que a cena esteja finalizada. Achei o resultado muito interessante.

Além dos filmes baseados em desenhos e traços, digamos “evolutivos”, outros experimentos de Kentridge repetem a mesma fórmula, porém com o que poderíamos chamar de “esculturas” executadas pela justaposição de pedaços de papel. Difícil de imaginar? Pois bem: suponha que você tenha um saco de pequenos pedaços de papel preto, e use estes pequenos pedaços como um lego, agrupando-os como se fossem traços formando uma figura ou um rosto, por exemplo.

Filme este rosto ou figura, e então faça pequenos ajustes – adicionando e/ou subtraindo mais pedaços de papel – para montar a próxima sequência de movimento deste rosto – e então filme novamente. Siga neste processo interativo e, voilà, o efeito é o mesmo da animação com traço a carvão. Melhor que palavras, selecionei um dos filmes pequenos para ilustrar:

Para quem gostou, deixo um outra recomendação: a participação do Kentridge na série Art21, uma série em 16 episódios que se propõe a analisar o trabalho de artistas contemporâneos através da estória de suas vidas, fontes de inspiração e processos criativos.

Neste video, a parte dedicada ao Kentridge está contida nos primeiros 22 minutos – embora eu sinceramente recomende o video completo, que traz ainda outros artistas contemporâneos muito interessantes. Apreciem o resultado da captação da voz da soprano – via celular, cantando a ária “Oh Mio Babbino Caro” da ópera Gianni Schichi, do mestre Giácomo Puccini – e posteriormente usada como trilha sonora da animação. Espetacular!

Assista aqui o episódio completo. Veja mais: ART:21.

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presentinho: estrutura da fuga para não-músicos

recebi este link de “presente” hoje e achei bacana para compartilhar aqui com vocês. particularmente, me chamou a atenção pela forma criativa de representar, digamos didaticamente, a estrutura musical de uma fuga.

por definição, uma fuga tem a seguinte estrutura: exposição, desenvolvimento e re-exposição. em geral, o tema é repetido por outras vozes (em geral em outras tonalidades), que continuam sucessivamente, e se repetem de maneira entrelaçada. aqui na wikipedia tem mais informações para quiser aber mais sobre a fuga enquanto estilo de composição.

dito isso, acho que já dá para assistir ao video abaixo com um pouco mais de contexto do que a animação está tentando representar. é uma animação para a fuga em C menor a 3 vozes, uma peça que faz parte do livro I do cravo bem temperado, do compositor alemão johann sebastian bach. eu achei muito bacana. espero que gostem.

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peanuts is back!

comprei esses dias de presente para alguém muito querido a parte que mais gosto da coleção das tirinhas do Peanuts – sim, o famoso Minduim, como foi batizada a personagem na versão do Snoopy em português. aliás, esta coleção mereceria um post próprio por sua interessante proposta, acabamento e formato de impressão – que comparativamente à não menos notável coleção do calvin & hobbes, apesar da minha predileção descarada pelo menininho e seu tigre, apresenta muitas vantagens do ponto de vista de consumo/leitura.

mas voltando à proposta deste post: assisti hoje por recomendação de um amigo, a um vídeo bacana que traz o Linus cantando Every little thing she does is magic, da banda The Police. achei muito bacana e resolvi compartilhar um pouquinho da trupe do Peanuts aqui com vocês. divirtam-se!

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esquizofrenia bachiana

depois da animação super bacana da Toccata e Fuga em D menor, descoberta pela zel

me vem hoje o gui com uma pérola da esquizofrenia bachiana… vejam só esta versão curiosa, pra dizer o mínimo, de Fecit Potentiam

divirtam-se! 🙂

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uma música puxa outra… :)

depois do barbeiro de sevilha em versão cartoon, a pauta da discussão, com o meu querido mago cartunista weno girava em torno da complexidade de construção do filme…

e como explicação de mestre, é tudo, aí vai: “esta animação usa a técnica de stop-motion, com fotos para cada movimento que o boneco ou o cenário faz. daí junta-se toda as fotos em seqüência para gerar a animação. agora imagine o processo de sincronia de imagem e voz. nessa técnica a animação é quase orgânica pois você adivinha o quanto que o boneco tem que mexer para gerar 42 fotos num total de 2 segundos, por exemplo. é complicado!

ganhei de quebra um brinquedinho novo, fã incondicional que sou de star wars e especialmente do dart vader, the dark lord of the sith! 🙂

e como coisa boa é pra ser compartilhada com os amigos… com vocês, uma demonstração de “musicalidade” na interpretação dos músicos do lado escuro da força, sob a batuta de ninguém menos que… dart vader!

curiosa disposição da orquestra no palco, hum? divirtam-se e…
let the force be with you!
🙂

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il barbieri di siviglia numa divertida compilação

a conversa começa em mozart, falávamos de concertos para piano, especificamente dos números 21 e 24. num dado momento, o paralelo com rossini torna-se inevitável: quando o assunto migra para o mundo da ópera.

grande e declarado admirador de mozart, o italiano rossini chegou a ser carinhosamente apelidado, por conta desta veneração, de il todeschino (“o alemãozinho”). importante compositor do gênero, rossini escreveu mais de 30 belíssimas óperas, dentre elas, sua mais famosa: Il barbiere di Siviglia, que conta ainda com a que é considerada a melhor abertura de ópera já escrita, não por acaso, composta ao estilo de… mozart! 🙂

junte-se um tema interessantíssimo e uma leitora curiosa, e após um rápido passeio, compilei um pequeno acervo de preciosidades para compartilhar com quem quiser se aventurar…

para começar. apreciar uma obra passa primeiramente pelo estágio de conhecê-la. então a recomendação é ler o enredo do barbeiro de sevilha.

para ouvir. o barbeiro é uma ópera tão popular que um grande número de suas árias é cantarolada e conhecida de muitos. algumas gravações com belíssimas vozes – incluindo a conhecidíssima ária de Fígaro – para vocês aqui:

  • Largo al factotum (ária de Fígaro, 1° ato) tito gobbi, film, 1946
  • Una voce poco fa… lo sono docile (ária de Rosina, 1º ato)
    maria callas, hamburg, 1959
    cecilia bartoli, concert at the savoy hotel, piano: georg fischer
  • Dunque io son (dueto: Figaro e Rosina, 2º ato) maria callas e tito gobbi, phillharmonia orchestra, conductor alceo galliera, 1958

para se divertir. a popularidade é tanta que felizmente temos abordagens da ópera para virtualmente todos os gostos… alguns exemplares interessantes:

  • um filme de natalia dabizha (cartoon)
    part 1, part 2, part 3 (in english)
    figaro: donald maxwell; almaviva: peter bronder; rosina: patricia bardon; dr. bartolo: andrew shore; d. basilio: john connell; berta: christine teare.
    orquestra: the welsh national opera orchestra
    condutor: gareth jones
  • o episódio mais célebre do pica-pau em o barbeiro de sevilla (em português)

Divirtam-se! 🙂

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