Ainda sobre o tempo de Quaresma: As Sete Últimas Palavras de Cristo

Acordei hoje pensando nAs Sete Últimas Palavras de Cristo, na versão do compositor alemão Felix Mendelssohn. O dia ensolarado e limpo no interior paulista não  parece fazer conta de que novamente estamos em meio à Quaresma, mas o momento clama à reflexão. Refletir sobre o fato de que Jesus Cristo morreu para redimir toda a humanidade, apesar de toda a humilhação e sofrimento detalhadamente descrito nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Lembrar que carregou sua cruz por toda a Via Dolorosa em Jerusalém, até o calvário, crucificação e agonia até o fim.

A sugestão deste post é meditar sobre a paixão de Cristo, refletindo sobre Suas Sete Últimas Palavras – ou devoção conhecida por Via Crucis. A Via Crucis começou a ser realizada anualmente durante a Quaresma, após a interrupção da peregrinação para a Terra Santa por causa da ocupação militar de Jesuralém na Idade Média. O caminho relembra as 14 estações, da Paixão, Crucificação e Morte de Jesus Cristo, iniciando com a condenação à morte de Jesus por Pilatos e se encerrando com o enterro de Jesus após sua morte na cruz.

Para fechar, deixo um trecho da peça na leitura de Theodore Dubois, com o Coral da Igreja Presbiteriana de Fort Lauderdale, regência de Diane Bish:

Concerto de Quaresma no Mosteiro de São Bento de Vinhedo

Para os cristãos, a Quaresma remete aos quarenta dias que Jesus passou no deserto em oração e por esta razão é comum que durante este período os cristãos se dediquem ao jejum e à meditação. Conforme já conversamos aqui no LesAmis antes (veja no post Quaresma ao som de Mozart), para o universo da música de concerto, a quaresma costumava ser um período bastante propício para a estreia de obras – especialmente nas comunidades fervorosamente católicas – como opção de entretenimento neste momento em que os teatros dramáticos permaneciam fechados.

Neste espírito de Quaresma, a boa nova da semana é a retomada da série de concertos no Mosteiro de São Bento de Vinhedo. O próximo encontro será no dia 20 de março às 20:00. No programa, a segunda parte do belíssimo O Messias, de Händel, com coro, solistas e orquestra barroca sob a batuta do regente Osny Fonseca. Os convites serão vendidos na entrada do concerto ao preço unitário de R$ 20. A acústica da sala é bastante interessante e a locação do mosteiro – com lojinha, pequeno museu e jardim – merece uma visita mais prolongada. Vamos ao concerto?

chopin, 200 anos!

Hoje é o dia em que o mundo todo celebra os 200 anos de nascimento do compositor e pianista polonês Fryderyk Chopin – o compositor cujo nome é sinônimo de belas jóias do repertório para piano solo. Muito foi publicado e está disponível ao simples clique de uma busca na internet. Então para este post separei dois pontos que gostaria de destacar.

O primeiro diz respeito ao Concurso de Piano Fryderyk Chopin, que acontece em Warsaw (Varsóvia, Polônia), desde 1927. Revendo a lista de ganhadores dos prêmios atribuídos pelo concurso, fiquei surpresa e feliz por reconhecer que o nosso Arthur Moreira Lima, figura como o pianista brasileiro ganhador do segundo lugar na edição de 1965 (o primeiro lugar neste ano ficou com a pianista argentina Martha Argerich). Um feito até o momento não superado por outro brasileiro – vejam só que oportunidade… 🙂

A propósito, se você ainda não ouviu o também polonês jovem pianista Rafal Blechacz interpretando Chopin, está na hora de corrigir esta “falha de formação”. Rafal levou o primeiro lugar na edição de 2005 com uma performance absolutamente incrível.

O segundo ponto que separei para destacar é uma curiosidade sobre a morte de Chopin. Ele faleceu em Paris, em 1849, onde foi sepultado. Porém seu coração foi removido e enterrado numa igreja em Varsóvia, segundo sua vontade. Para a celebração de sua missa de morte, na Igreja de Madeleine em Paris, o Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart, também segundo sua expressa vontade – mas isso teve que esperar quase duas semanas, pois na época mulheres não podiam cantar na igreja e foi preciso negociar uma forma de permiti-lo (cantaram atrás de uma cortina negra). Para o funeral, sua própria marcha fúnebre (Sonata n# 2, Opus 35).

Acho muito difícil eleger algo em Chopin que eu possa apontar como sendo o que gosto mais. Mas se realmente tivesse que fazê-lo, ficaria com os Noturnos. E dentre os Noturnos, o opus 9 é de longe o meu favorito. Então deixo como petit cadeau o italiano Maurizio Pollini – primeiro lugar no Concurso Chopin na edição de 1960 – tocando o número 1 desta belíssima peça. Enjoy!

Pequena seleção da Programação 2010 do Municipal de SP

Ainda em obras e com concertos acontecendo em outras salas da cidade, a programação do primeiro semestre de 2010 da Orquestra Experimental de Repertório do Teatro Municipal de São Paulo (OER), já está no ar desde 7 de fevereiro. A agenda traz boas opções, e particularmente encontrei duas de especial interesse para compor a minha agenda.

A primeira acontece em 30/Mai às 11h, no Teatro Bradesco, com as 8 Canções da Trompa Mágica do Menino (Des Knaben Wunderhorn), parte das comemorações dos 150 anos de nascimento do compositor alemão Gustav Mahler. O programa traz além das 8 canções, a Sinfonia Nr 1 “Titã”, os solistas Denise de Freitas e Leonardo Neiva, e a regência do nosso ilustre Jamil Maluf.

A segunda acontece em 13/Jun às 11h, também no Teatro Bradesco, com o Concerto para Piano e Orquestra Nr 2 de Chopin, na interpretação do ganhador do concurso Chopin-OER, cuja identidade será conhecida em 22/Mai, data da etapa final do concurso, patrocinado pela OER neste 2010, ano de comemoração dos 200 anos de nascimento do compositor polonês Frédéric Chopin, e ano do vigésimo aniversário da OER. O programa inclui ainda a Sinfonia Nr 1 “Primavera” do compositor alemão Robert Schumann, e a regência de Jamil Maluf.

É isso. Apesar do website do Teatro estar com conteúdo desatualizado quando o assunto é venda de ingressos, este é um problema que pretendo resolver no primeiro horário do expediente da segunda, diretamente na Bilheteria do Teatro Municipal. Se você for, nos vemos por lá.

Horowitz toca Kinderszenen em Viena

dia desses comecei a estudar o álbum da juventude – Album für die Jugend, Opus 68 – do compositor alemão robert schumann. a edição da partitura que comprei, a tradicional da henle verlag, inclui a delicada Kinderzsenen, Opus 15 (cenas de infância) – uma das minhas favoritas quando o assunto é schumann. há alguns dias atrás, ouvi quase por acaso num programa da rádio cultura fm de são paulo uma aclamada gravação desta peça na interpretação da argentina martha argerich. coincidências à parte, eis que também por acaso, dias atrás na Film & Arts, assisti ao recital do grande vladimir horowitz na não menos majestosa viena, com repertório notável incluindo a Kinderszenen: das várias interpretações que ouvi nos últimos dias, foi esta a que particularmente me encantou mais. deixo aqui como recomendação para quem quiser experimentar. boa audição! 🙂

chant d’amour

E por falar na Cecilia Bartoli… descobri esses dias um álbum dela que eu não conhecia. Um repertório baseado em canções francesas pouco executadas. É uma Cecilia com uma voz mais “escura” e bastante contida, mas perfeitamente adaptada para a interpretação de personagens diferentes. Gostei de todas as canções, mas da La mort d’Ophélie em particular. Achei que valia o post: boa pedida!